Painel comparativo
As 16 edições do Censo da Educação Superior entre 2009 e 2024, lado a lado: o que muda de fato ao longo de uma década e meia de dados, e não só no retrato de um único ano.
Todos os números desta página: Censo da Educação Superior 2009-2024 (INEP), série extraída via BigQuery (basedosdados)
Quatro leituras do mesmo conjunto de dados, uma por decisão que ele informa
O EAD saiu de 14,0% das matrículas em 2009 para 50,7% em 2024, multiplicando por 3,6 em 16 edições e superando o presencial pela primeira vez na série inteira. Quem ainda pensa a captação pelo calendário do vestibular local está falando com uma fatia cada vez menor do mercado.
Ver EAD ao longo da série ↓As vagas ofertadas quase quintuplicaram entre 2009 e 2024 (de 4,75 para 23,67 milhões), enquanto os ingressantes mais que dobraram (de 2,08 para 5,01 milhões). O resultado é uma inversão real: em 2009 havia 0,7 vaga para cada inscrito, hoje são 1,5. A disputa migrou de conseguir vaga para preencher vaga.
Ver oferta e procura ↓O Fies teve seu pico em 2015, com 1,34 milhão de matrículas financiadas, e caiu 88% até 2024, para 155,6 mil. O Prouni segue uma curva bem mais estável no mesmo período (de 338,6 mil para 435,0 mil) e hoje financia quase 2,8 vezes mais matrículas que o Fies.
Ver Fies e Prouni ↓Em três coortes de ingresso, medidas por fontes diferentes, entre 2010 e 2015, a desistência acumulada nunca ficou abaixo de 58% e chegou a 60% na turma mais recente, dez anos depois de entrar. Não é o resultado de uma turma específica: é o padrão que se repete a cada nova coorte medida.
Ver coortes e evasão ↓01 · Rede administrativa
Participação da rede pública e da rede privada nas matrículas de graduação, 2009 a 2024.
Escala de 0% a 100%: uma sobe exatamente o que a outra desce. 2013 não tem coluna de rede na fonte e some do gráfico, sem ponto interpolado.
| Ano | Rede privada | Rede pública |
|---|---|---|
| 2009 | 74,5% | 25,5% |
| 2010 | 74,3% | 25,7% |
| 2011 | 73,8% | 26,2% |
| 2012 | 73,1% | 26,9% |
| 2014 | 75% | 25% |
| 2015 | 75,7% | 24,3% |
| 2016 | 75,3% | 24,7% |
| 2017 | 75,3% | 24,7% |
| 2018 | 75,4% | 24,6% |
| 2019 | 75,8% | 24,2% |
| 2020 | 77,5% | 22,5% |
| 2021 | 76,9% | 23,1% |
| 2022 | 78% | 22% |
| 2023 | 79,3% | 20,7% |
| 2024 | 79,8% | 20,2% |
A rede privada foi de 74,5% (2009) para 79,8% (2024) das matrículas, mas não subiu todo ano: caiu três anos seguidos logo no início da série antes de retomar o crescimento em 2014.
Leitura do dado
Entre 2009 e 2024, a fatia da rede privada nas matrículas de graduação subiu de 74,5% para 79,8%, um avanço de 5,3 pontos percentuais em 16 edições. A trajetória não é uma linha reta: nos primeiros anos da série a rede privada perdeu espaço três vezes seguidas (de 74,5% em 2009 até 73,1% em 2012), a coluna de rede administrativa não tem ponto registrado em 2013, e só a partir de 2014 (75,0%) o crescimento se firma, ainda com recuos pontuais em 2016 (75,3%, abaixo dos 75,7% de 2015) e em 2021 (76,9%, abaixo dos 77,5% de 2020), até fechar em 79,8% em 2024.
O retrato de 2024 mostra onde esse crescimento se concentra: 62,3% das matrículas estão em instituições privadas com fins lucrativos e 17,5% em privadas sem fins lucrativos, contra 12,9% na rede federal, 6,5% na estadual, 0,3% na municipal e 0,4% na especial. Uma comparação com esse mesmo nível de detalhe em 2009 não é confiável: naquele ano o Censo classificava a rede administrativa num esquema de códigos diferente do atual, e o único agregado que atravessa a série inteira sem ruído de metodologia é o total público contra o total privado (25,5% e 74,5% em 2009).
02 · Modalidade
Participação do EAD e do presencial nas matrículas, 2009 a 2024.
Escala de 0% a 100%: as duas linhas se cruzam em 2024, quando o EAD (50,7%) ultrapassa o presencial (49,3%) pela primeira vez na série.
| Ano | EAD | Presencial |
|---|---|---|
| 2009 | 14% | 86% |
| 2010 | 14,5% | 85,5% |
| 2011 | 14,7% | 85,3% |
| 2012 | 15,8% | 84,2% |
| 2013 | 15,8% | 84,2% |
| 2014 | 17,1% | 82,9% |
| 2015 | 17,3% | 82,7% |
| 2016 | 18,6% | 81,4% |
| 2017 | 21,2% | 78,8% |
| 2018 | 24,3% | 75,7% |
| 2019 | 28,5% | 71,5% |
| 2020 | 35,8% | 64,2% |
| 2021 | 41,4% | 58,6% |
| 2022 | 45,9% | 54,1% |
| 2023 | 49,2% | 50,8% |
| 2024 | 50,7% | 49,3% |
2024 é o primeiro ano da série em que o EAD (50,7%) ultrapassa o presencial (49,3%) nas matrículas de graduação, depois de crescer sem interrupção desde 14,0% em 2009.
Leitura do dado
O EAD é a transformação mais linear das 16 edições: subiu de 14,0% das matrículas em 2009 para 50,7% em 2024, mais que triplicando (3,6 vezes), sem nenhum recuo de uma edição para a seguinte. A inclinação da curva também muda ao longo do caminho: entre 2009 e 2016 o crescimento é lento (de 14,0% para 18,6%), e a partir de 2017 (21,2%) o ritmo dispara, passando por 35,8% em 2020 e 45,9% em 2022.
2024 marca o cruzamento real: pela primeira vez em toda a série coberta por este painel, o EAD (50,7%) ultrapassa o presencial (49,3%) no total de matrículas. Em nenhuma outra edição, de 2009 a 2023, a modalidade a distância chegou a ser maioria.
03 · Oferta e procura
Vagas ofertadas, inscritos em processos seletivos e ingressantes efetivos, em valores absolutos, 2009 a 2024.
Em milhões. 2024: 23,7 mi de vagas para 15,7 mi de inscritos.
| Ano | Vagas ofertadas | Inscritos | Ingressantes |
|---|---|---|---|
| 2009 | 4,8 mi | 6,9 mi | 2,1 mi |
| 2010 | 4,8 mi | 7,4 mi | 2,2 mi |
| 2011 | 4,5 mi | 10,0 mi | 2,4 mi |
| 2012 | 4,7 mi | 12,0 mi | 2,8 mi |
| 2013 | 5,9 mi | 13,9 mi | 2,7 mi |
| 2014 | 8,1 mi | 16,4 mi | 3,1 mi |
| 2015 | 8,6 mi | 16,7 mi | 2,9 mi |
| 2016 | 10,7 mi | 16,9 mi | 3,0 mi |
| 2017 | 10,8 mi | 17,6 mi | 3,2 mi |
| 2018 | 13,5 mi | 17,2 mi | 3,4 mi |
| 2019 | 16,4 mi | 20,1 mi | 3,6 mi |
| 2020 | 19,6 mi | 20,1 mi | 3,8 mi |
| 2021 | 22,7 mi | 15,1 mi | 3,9 mi |
| 2022 | 22,8 mi | 17,0 mi | 4,8 mi |
| 2023 | 24,7 mi | 14,6 mi | 5,0 mi |
| 2024 | 23,7 mi | 15,7 mi | 5,0 mi |
As vagas cresceram quase 5 vezes entre 2009 e 2024 (de 4,75 para 23,67 milhões) e os ingressantes, 2,4 vezes (de 2,08 para 5,01 milhões): no total do período, a oferta cresceu bem mais rápido que a procura.
Leitura do dado
Vagas, inscritos e ingressantes cresceram em ritmos muito diferentes entre 2009 e 2024. As vagas ofertadas saltaram de 4.754.894 para 23.665.419 (quase 5 vezes), os inscritos foram de 6.925.597 para 15.723.085 (2,3 vezes) e os ingressantes, de 2.081.382 para 5.010.613 (2,4 vezes). É a oferta que corre na frente: ela cresce a um ritmo bem maior que o da procura.
O resultado é uma inversão visível ao longo da série: em 2009 havia 0,7 vaga para cada inscrito (menos vaga do que gente buscando vaga), e em 2024 são 1,5 vaga por inscrito, mais oferta do que disputa. A curva de inscritos também é a mais irregular das três: oscila com o calendário de Enem e Fies, com quedas visíveis em 2018, 2021 e 2023, enquanto vagas e ingressantes sobem de forma mais constante.
04 · Financiamento
Matrículas com financiamento estudantil federal, em valores absolutos, 2009 a 2024.
Em milhares. O Fies caiu 88,4% do pico em 2015 (1.344.379) até 2024 (155.560).
| Ano | Fies | Prouni |
|---|---|---|
| 2009 | 133 mil | 339 mil |
| 2010 | 153 mil | 337 mil |
| 2011 | 224 mil | 368 mil |
| 2012 | 442 mil | 404 mil |
| 2013 | 830 mil | 391 mil |
| 2014 | 1,3 mi | 441 mil |
| 2015 | 1,3 mi | 518 mil |
| 2016 | 1,2 mi | 582 mil |
| 2017 | 1,1 mi | 610 mil |
| 2018 | 826 mil | 576 mil |
| 2019 | 575 mil | 616 mil |
| 2020 | 355 mil | 567 mil |
| 2021 | 223 mil | 479 mil |
| 2022 | 169 mil | 452 mil |
| 2023 | 178 mil | 404 mil |
| 2024 | 156 mil | 435 mil |
O Fies teve pico em 2015 (1,34 milhão de matrículas financiadas) e caiu 88% até 2024 (155,6 mil), enquanto o Prouni cresceu de forma mais estável, de 338,6 mil para 435,0 mil no mesmo período.
Leitura do dado
O Fies desenha uma curva de sino ao longo da série: partiu de 133.089 matrículas financiadas em 2009, subiu até um pico de 1.344.379 em 2015 (dez vezes o ponto de partida) e a partir daí caiu quase todo ano, fechando 2024 em 155.560, apenas 22,5 mil acima de onde começou 16 anos antes.
O Prouni segue outro roteiro: foi de 338.611 matrículas em 2009 para 434.956 em 2024, crescimento de 28,5%, sem o boom nem o colapso do Fies. As duas curvas se cruzam duas vezes: o Fies ultrapassa o Prouni entre 2011 e 2012, no auge da expansão do crédito estudantil, e o Prouni retoma a liderança entre 2018 e 2019, posição que mantém até 2024, quando financia quase 2,8 vezes mais matrículas que o Fies.
05 · Coortes e evasão
Três coortes reais de ingresso, medidas por fontes distintas e independentes até nove ou catorze anos depois, e a coorte de 2015 aberta por rede e por modalidade.
Cada ponto vem de uma fonte e de uma janela de anos diferente: não são o mesmo eixo do tempo, e não devem ser interpolados entre si.
Em três coortes reais e independentes (2010, 2013 e 2015), a desistência acumulada nunca ficou abaixo de 58% e chegou a 60% em dez anos na turma de 2015, o mesmo grupo em que o EAD (65%) desiste mais que a rede privada (62%) e a pública (53%).
Leitura do dado
Três coortes de ingresso, medidas por fontes distintas e independentes, mostram o mesmo padrão: quem entrou na graduação em 2010 teve 58% de desistência acumulada catorze anos depois; quem entrou em 2013, 59% em nove anos, num artigo acadêmico; quem entrou em 2015, 60% em dez anos, já dentro do próprio Censo 2024. São pontos reais, não interpolados entre si, e a proximidade dos três valores (58% a 60%) é o que torna o achado robusto: não é o resultado de uma turma específica, é o comportamento do sistema.
Aberta por recorte, a coorte de 2015 mostra onde a desistência pesa mais. Por rede: 53% na pública contra 62% na privada, uma diferença de 9 pontos. Por modalidade: 59% no presencial contra 65% no EAD, uma diferença de 6 pontos. A conclusão acumulada espelha o mesmo padrão, invertido: 44% na pública e 40% no presencial terminam o curso, contra 37% na privada e 34% no EAD. Os dois recortes que mais cresceram ao longo da série, rede privada e EAD, são também os que menos retêm.
Concluíram, ainda cursavam ou desistiram, dez anos depois de entrar, por rede e por modalidade.
06 · Perfil etário
Ingressantes até 24 anos e com 25 anos ou mais, 2009 a 2024.
Escala de 0% a 100%: o grupo de 25 anos ou mais vira maioria em 2020 e não devolve mais.
| Ano | Até 24 anos | 25 anos ou mais |
|---|---|---|
| 2009 | 51,6% | 48,1% |
| 2010 | 50,7% | 49% |
| 2011 | 50,6% | 49% |
| 2012 | 50,5% | 49,1% |
| 2013 | 50,7% | 48,9% |
| 2014 | 50,4% | 49,2% |
| 2015 | 50,7% | 48,9% |
| 2016 | 51,3% | 48,4% |
| 2017 | 51,4% | 48,2% |
| 2018 | 51,2% | 48,6% |
| 2019 | 50,5% | 49,3% |
| 2020 | 47,6% | 52,2% |
| 2021 | 45,5% | 54,4% |
| 2022 | 44,8% | 55% |
| 2023 | 44,2% | 55,7% |
| 2024 | 43,9% | 56,1% |
Os ingressantes de 25 anos ou mais viraram maioria em 2020 (52,2%) e chegaram a 56,1% em 2024: o aluno “tradicional” de até 24 anos, que era maioria até 2019, hoje é minoria em queda.
Leitura do dado
O ingressante de até 24 anos, o perfil “tradicional”, caiu de 51,6% em 2009 para 43,9% em 2024, uma queda de 7,7 pontos percentuais. O movimento não é lento e constante: durante quase toda a década de 2010 esse grupo ficou estável, entre 50% e 51%, e o recuo se concentra nos últimos anos da série.
A virada acontece em 2020: é o primeiro ano em que os ingressantes de 25 anos ou mais (52,2%) passam a ser maioria, ultrapassando os de até 24 anos (47,6%). Desde então a distância só aumenta, ano a ano, até os 56,1% de 2024. O calendário coincide com a mesma janela em que o EAD acelera (de 28,5% em 2019 para 35,8% em 2020): o aluno mais velho e a modalidade a distância crescem juntos.
07 · Docentes, concluintes e matrículas
Cada linha parte de 100 em 2009: é um Um índice de base 100 mostra a variação percentual de cada série a partir do mesmo ponto de partida, não o valor absoluto. Uma linha em 150 cresceu 50% desde a base, não importa se a série original é medida em milhões ou em milhares., o jeito de comparar o ritmo de grandezas bem diferentes (milhões de matrículas x centenas de milhares de docentes) no mesmo gráfico.
Matrículas cresceram 70,9% até 2024; concluintes, 37,9%; docentes em exercício, só 9,9%.
| Ano | Matrículas | Concluintes | Docentes |
|---|---|---|---|
| 2009 | 100 | 100 | 100 |
| 2010 | 107 | 101,4 | 101,3 |
| 2011 | 113 | 105,7 | 104,9 |
| 2012 | 117,9 | 109,1 | 106,4 |
| 2013 | 122,3 | 102,8 | 107,8 |
| 2014 | 131 | 106,5 | 112,5 |
| 2015 | 134,2 | 119,1 | 113,8 |
| 2016 | 134,5 | 121 | 112,7 |
| 2017 | 138,5 | 124,1 | 111,7 |
| 2018 | 141,2 | 130,7 | 112,8 |
| 2019 | 143,7 | 129,2 | 113,3 |
| 2020 | 145 | 132,2 | 107,5 |
| 2021 | 150,1 | 137,2 | 105,3 |
| 2022 | 157,8 | 133,1 | 106,2 |
| 2023 | 166,7 | 142,1 | 108,1 |
| 2024 | 170,9 | 137,9 | 109,9 |
Com 2009 = 100, as matrículas fecham 2024 em 170,9 subindo em todas as 16 edições; docentes (109,9) e concluintes (137,9) ficam bem atrás e chegam a recuar em alguns anos.
Leitura do dado
Com 2009 como base 100, as matrículas fecham 2024 em 170,9 (crescimento de 70,9%) e sobem em todas as 16 edições, sem exceção. Concluintes e docentes em exercício não acompanham esse ritmo: os concluintes chegam a 137,9 (crescimento de 37,9%) e os docentes a apenas 109,9 (9,9%).
As três curvas também têm formatos diferentes. O índice de docentes forma um platô: sobe até um pico de 113,8 em 2015, recua para 105,3 em 2021 e fecha 2024 em 109,9, ainda abaixo daquele pico de nove anos antes. O de concluintes sobe com alguns recuos pontuais (2013, 2019, 2022) até 142,1 em 2023, e cai de novo para 137,9 em 2024. Só o índice de matrículas nunca recua de uma edição para a seguinte.
08 · Cinco categorias, dois retratos
As mesmas matrículas, na composição por categoria administrativa em 2009 e em 2024.
O Censo de 2009 usa uma nomenclatura anterior à divisão atual: os códigos daquele ano não separam "com fins lucrativos" de "sem fins lucrativos", por isso o bloco privado aparece agregado aqui
09 · Do ensino médio ao superior
Não é conversão individual: é a proporção entre o tamanho da turma de 3ª série do Ensino Médio (Censo Escolar) e o total de ingressantes do Censo da Educação Superior no ano seguinte.
De 2009 a 2022: a turma de 3ª série encolhe enquanto os ingressantes do superior crescem, então a taxa passa de 101,0% para 220,6%.
| 3ª série EM | Ingressantes no ano | Matrículas 3ª série | Ingressantes | Taxa |
|---|---|---|---|---|
| 2009 | 2010 | 2.174.729 | 2.196.822 | 101,0% |
| 2010 | 2011 | 2.159.502 | 2.359.409 | 109,3% |
| 2011 | 2012 | 2.179.191 | 2.756.773 | 126,5% |
| 2012 | 2013 | 2.196.667 | 2.749.803 | 125,2% |
| 2013 | 2014 | 2.185.418 | 3.114.510 | 142,5% |
| 2014 | 2015 | 2.203.227 | 2.922.400 | 132,6% |
| 2015 | 2016 | 2.151.835 | 2.986.636 | 138,8% |
| 2016 | 2017 | 2.250.861 | 3.226.906 | 143,4% |
| 2017 | 2018 | 2.186.565 | 3.446.328 | 157,6% |
| 2018 | 2019 | 2.160.942 | 3.633.644 | 168,2% |
| 2019 | 2020 | 2.101.775 | 3.765.669 | 179,2% |
| 2020 | 2021 | 2.040.767 | 3.945.091 | 193,3% |
| 2021 | 2022 | 2.312.332 | 4.756.957 | 205,7% |
| 2022 | 2023 | 2.264.199 | 4.994.192 | 220,6% |
A proporção entre concluintes do ensino médio e ingressantes no superior do ano seguinte saltou de 101,0% (2009) para 220,6% (2022): o superior cresce puxado também por gente que não é só quem acabou de sair do ensino médio.
Leitura do dado
Entre 2009 e 2022, o número de concluintes da 3ª série do ensino médio oscilou perto de 2,2 milhões por ano, sem tendência clara de alta ou queda: começa em 2.174.729 (2009) e termina em 2.264.199 (2022), variação de apenas 4,1%. Nesse mesmo intervalo, o número de ingressantes no ensino superior no ano seguinte saiu de 2.196.822 para 4.994.192, mais que dobrando.
A razão entre as duas séries, quantos ingressantes no superior para cada concluinte do ensino médio do ano anterior, sai de 101,0% em 2009 para 220,6% em 2022. Não é uma taxa de conversão da mesma turma (o Censo Escolar e o Censo da Educação Superior não seguem os mesmos indivíduos): é um sinal de que o ensino superior capta, cada vez mais, gente que não veio direto do ensino médio daquele ano, o que conversa com o próprio envelhecimento do perfil de ingressante visto na seção de perfil etário.
10 · O horizonte demográfico
Nascimentos (SINASC, índice 2000=100) e matrícula da 3ª série do ensino médio (Censo Escolar, índice 2009=100): duas curvas que já apontam menos gente para preencher vaga daqui a quinze ou dezoito anos.
O SINASC desta série só cobre nascimentos até 2010; a leitura é sobre o ritmo de queda de longo prazo, não sobre o volume de cada curva.
| Ano | Nascimentos (SINASC, 2000=100) | Matrícula 3ª série EM (Censo Escolar, 2009=100) |
|---|---|---|
| 1994 | 84,8 | n/d |
| 1995 | 84,9 | n/d |
| 1996 | 88,6 | n/d |
| 1997 | 90,9 | n/d |
| 1998 | 94,9 | n/d |
| 1999 | 95,8 | n/d |
| 2000 | 100 | n/d |
| 2001 | 97,2 | n/d |
| 2002 | 95,4 | n/d |
| 2003 | 94,7 | n/d |
| 2004 | 94,4 | n/d |
| 2005 | 94,6 | n/d |
| 2006 | 91,8 | n/d |
| 2007 | 90,2 | n/d |
| 2008 | 91,5 | n/d |
| 2009 | 89,9 | 100 |
| 2010 | 89,2 | 99,3 |
| 2011 | n/d | 100,2 |
| 2012 | n/d | 101 |
| 2013 | n/d | 100,5 |
| 2014 | n/d | 101,3 |
| 2015 | n/d | 98,9 |
| 2016 | n/d | 103,5 |
| 2017 | n/d | 100,5 |
| 2018 | n/d | 99,4 |
| 2019 | n/d | 96,6 |
| 2020 | n/d | 93,8 |
| 2021 | n/d | 106,3 |
| 2022 | n/d | 104,1 |
| 2023 | n/d | 93,9 |
| 2024 | n/d | 103,3 |
O índice de nascimentos (SINASC) já vinha caindo desde o pico do ano 2000 e fechou 2010 em 89,2; a matrícula da 3ª série do ensino médio (2009-2024), de outra fonte, ainda oscila perto de 100 sem mostrar o mesmo movimento.
Leitura do dado
O único indicador de nascimentos disponível nesta série, medido pelo SINASC entre 1994 e 2010, já mostra a curva virando: o índice sobe de 84,8 (1994) para um pico de 100,0 em 2000 e, a partir daí, recua quase todo ano, fechando 2010 em 89,2, abaixo até do nível de 1997 (90,9).
A matrícula da 3ª série do ensino médio, medida pelo Censo Escolar entre 2009 e 2024, ainda não mostra o mesmo movimento: oscila entre 93,8 (2020) e 106,3 (2021) e fecha 2024 em 103,3, praticamente onde começou (100,0 em 2009). As duas séries vêm de fontes diferentes e não cobrem os mesmos anos: o que dá para dizer, com o dado disponível aqui, é que a queda de nascimentos já aparecia antes de 2010, mas ainda não apareceu, nesta série, na porta de entrada do ensino médio.
11 · Limites do dado
A coluna de rede administrativa não existe na fonte para 2013: o ano some dos gráficos de privatização e modalidade em vez de ganhar um ponto interpolado.
A cota étnico-racial não é reportada na edição de 2024: o recorte de cotas por raça/cor não tem ponto de comparação nesse ano.
A categoria administrativa de 2009 usa uma nomenclatura diferente da atual (seção 07): os códigos daquele ano não se decompõem em "com fins" e "sem fins lucrativos".
As séries de funil (3ª série do ensino médio → ingressantes) e de horizonte demográfico (nascimentos) vêm do Censo Escolar e do SINASC/Ministério da Saúde, não da tabela "curso" que sustenta o resto deste estudo: são fontes e metodologias diferentes, e não devem ser comparadas número a número com o restante da série.
Leitura do dado
Três avisos valem para todo este painel. A coluna de rede administrativa não tem ponto registrado em 2013 (por isso o gráfico de privatização pula esse ano), o que tira qualquer leitura de “subiu todo ano” do terreno do dado real. A cota étnico-racial não tem valor reportado na base mais recente do Censo, então nenhuma leitura de reserva de vaga deste painel cobre essa modalidade. E as séries de nascimentos e de matrícula do ensino médio, usadas nas seções de horizonte demográfico e de funil ensino médio, vêm de fontes distintas (SINASC, Censo Escolar e Censo da Educação Superior) que não seguem os mesmos indivíduos nem os mesmos anos: são sinais complementares, não uma trajetória única e contínua.
Este estudo consolida os anos do Censo lado a lado para mostrar tendência, não para prever o próximo ano. Cada seção parte de um recorte diferente da mesma base (tabela "curso", tabela "ies", ou uma fonte externa como o Censo Escolar e o SINASC): confira a seção 10 antes de cruzar números entre gráficos diferentes.
Fonte: Censo da Educação Superior 2009-2024 e Sinopse Estatística, INEP/MEC, microdados agregados via BigQuery (dataset público basedosdados), tabelas "curso" e "ies". Matrícula da 3ª série do ensino médio: Censo Escolar/INEP. Nascidos vivos: SINASC, Ministério da Saúde. Consultado em 30/08/2026.
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