O Censo Escolar de 2015 mostra a educação básica brasileira em contração: escolas, matrículas e turmas caem frente a 2014, enquanto o corpo docente fica praticamente parado. É o retrato de uma rede que encolhe em volume sem encolher em quem dá aula.
Escola com situação de funcionamento "Em atividade" no Censo: exclui unidades paralisadas, extintas ou em processo de extinção
188.689↓ 1,0%
vs. 2014: 190.553
Matrículas
48.796.512↓ 2,0%
vs. 2014: 49.771.371
Docentes
2.784.910
vs. 2014: 2.785.472
Turmas
2.164.640↓ 1,0%
vs. 2014: 2.186.920
Matrículas dividido pelo número de docentes em exercício: é uma proporção de rede, não o tamanho médio de uma turma
17,52↓ 2,0%
vs. 2014: 17,87
Matrículas EAD
628.130
vs. 2014: 0
Todos os números desta página: Censo Escolar da Educação Básica 2015 (INEP), extraídos via BigQuery (basedosdados), tabela "escola"
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O que o Censo Escolar de 2015 não coleta
Este Censo de 2015 não traz o detalhamento do Novo Ensino Médio por itinerário formativo (propedêutico, técnico, magistério): esse recorte só passou a ser publicado pelo INEP a partir de 2023, então aqui é zero estrutural, não ausência real de itinerários.
O mesmo vale para turmas por turno ou tempo integral: o INEP só abre esse recorte a partir de 2023, e 2015 simplesmente não tem essa granularidade.
Yield Rate, Summer Melt e taxas de aprovação, reprovação ou abandono não existem nesta base em nenhum ano da série: não é um buraco de 2015, é um limite estrutural do Censo Escolar inteiro.
Qualquer atributo individual de aluno ou docente, como idade, cor ou raça, formação cruzada, foi suprimido pelo INEP em 2022 por decisão de LGPD, de forma retroativa a toda a série 2007-2024, inclusive a este ano.
O que 2015 diz para cada cadeira
Antes dos gráficos, a leitura: o que este Censo muda pra quem mantém a escola, matricula, paga a conta e decide o pedagógico
Mantenedora / dono de escola18,6%
Quase uma em cada cinco matrículas do país já estava na rede privada em 2015: 9.057.732 de um total de 48.796.512. A rede pública ainda concentrava 81,4%, mas a privada não era fatia marginal, e sim a terceira maior rede do país sozinha.
A matrícula nacional caiu 2,0% frente a 2014, de 49.771.371 para 48.796.512. Foi a maior queda entre os quatro indicadores centrais do Censo neste ano: escolas (-1,0%), turmas (-1,0%) e docentes (0,0%) recuaram menos.
Enquanto a matrícula caiu 2,0%, o corpo docente ficou praticamente parado: 2.784.910 professores em exercício, variação de 0,0% frente a 2014. Custo docente estável sobre uma base de alunos menor pressiona o custo por aluno, mesmo sem nenhuma contratação nova.
Mais da metade da matrícula do país, 57,2% (27.931.210 alunos), estava no Ensino Fundamental em 2015. É a etapa que qualquer decisão pedagógica nacional precisa endereçar primeiro, só depois vêm Ensino Médio (16,6%) e Infantil (16,3%).
As mesmas matrículas, vistas por quem mantém a escola e por onde o aluno está.
Matrículas por rede administrativa
Federal, estadual e municipal somam a rede pública; a rede privada é a quarta fatia
Federal: 376.230 matrículas (0,8%)
Estadual: 16.548.708 matrículas (33,9%)
Municipal: 22.813.842 matrículas (46,8%)
Privada: 9.057.732 matrículas (18,6%)
Federal 0,8%Estadual 33,9%Municipal 46,8%Privada 18,6%
Leitura do dado
A rede pública respondia por 81,4% da matrícula da educação básica em 2015 (39.738.780 de 48.796.512), federal, estadual e municipal somadas, contra 18,6% na rede privada (9.057.732). A rede municipal sozinha já era a maior peça do sistema, com 46,8% da matrícula nacional (22.813.842), maior isoladamente que a estadual (33,9%, 16.548.708) e maior que a privada (18,6%).
A rede federal seguia residual em escala, com 0,8% da matrícula (376.230), papel que não é de volume e sim de modelo pedagógico, concentrado em poucas unidades de referência.
Matrículas por zona
Participação no total nacional de matrículas
Urbana
43.078.040 matrículas
88,3% (43.078.040 matrículas)
Rural
5.718.472 matrículas
11,7% (5.718.472 matrículas)
Leitura do dado
88,3% da matrícula do país estava em área urbana em 2015 (43.078.040), contra 11,7% em zona rural (5.718.472). A proporção urbana já era dominante nesse ponto da série, com a zona rural representando pouco mais de uma em cada nove matrículas.
O mapa da educação básica
Navegue como num aplicativo de mapa: role para dar zoom, arraste para mover, clique num estado para abrir os municípios.
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Brasil
Matrículas48.796.512
Escolas ativas188.689
% do país18,6%
Razão aluno/docente17,52
menosmais
A rede municipal domina sozinha a base nacional de 2015: 46,8% da matrícula do país, maior isoladamente que a estadual (33,9%) e que a privada (18,6%).
Contorno geográfico do IBGE (biblioteca open source mapa-brasil, MIT)
Leitura do dado
O mapa organiza a mesma base nacional por estado: 188.689 escolas ativas e 48.796.512 matrículas distribuídas entre as 27 unidades da federação. A composição de rede que aparece no nível Brasil, com a municipal na liderança isolada (46,8%), é a camada que o mapa também deixa navegar estado a estado.
Sem quebra por UF nos fatos verificados desta edição, a leitura no nível do mapa segue as mesmas duas variáveis do resto da página, rede administrativa e zona urbana ou rural, ambas já com peso nacional conhecido antes de abrir qualquer estado.
02 · Etapas
O que o Brasil estuda, dos 0 aos 17
Cada barra é a participação da etapa no total de matrículas do país.
Matrícula por etapa, 2015
Ensino Fundamental
27.931.210 matrículas
57,2% (27.931.210 matrículas)
Creche e pré-escola, de 0 a 5 anos
7.972.230 matrículas
16,3% (7.972.230 matrículas)
Ensino Médio
8.076.150 matrículas
16,6% (8.076.150 matrículas)
Educação de Jovens e Adultos: modalidade para quem não concluiu o ensino fundamental ou médio na idade prevista
3.491.869 matrículas
7,2% (3.491.869 matrículas)
Educação Profissional
1.917.192 matrículas
3,9% (1.917.192 matrículas)
Matrículas em classes ou escolas exclusivas de educação especial, não inclui alunos incluídos em turmas comuns com apoio
930.683 matrículas, classes exclusivas
1,9% (930.683 matrículas, classes exclusivas)
As etapas se sobrepõem parcialmente: um aluno pode contar em mais de uma categoria conforme o corte do Censo. A soma das barras passa de 100% do total de matrículas, e isso é esperado, não erro de conta.
Leitura do dado
Ensino Fundamental concentrava 57,2% da matrícula em 2015 (27.931.210), mais da metade do total nacional. Em seguida vêm Ensino Médio (16,6%, 8.076.150) e Educação Infantil (16,3%, 7.972.230), praticamente empatadas.
EJA somava 7,2% (3.491.869), Educação Profissional 3,9% (1.917.192) e Educação Especial em classes exclusivas, 1,9% (930.683). A soma das seis fatias passa de 100% (103,1%), porque as categorias se sobrepõem: um aluno pode contar em mais de uma etapa conforme o corte do Censo, isso é esperado, não erro de conta.
03 · Novo Ensino Médio
O Trilha de aprofundamento do Novo Ensino Médio: propedêutico, técnico ou magistério, escolhida pelo aluno a partir do 2º ano, só a partir de 2023
Este recorte não existe antes de 2023: zero estrutural, não ausência de oferta.
Não há recorte por itinerário formativo em 2015: o Novo Ensino Médio só passou a existir como categoria do Censo a partir de 2023. Isso é zero estrutural, não ausência de dado.
04 · Estrutura e infraestrutura
O que cada escola tem
% das escolas ativas com o recurso, e a variação sobre o ano anterior.
Internet
65,7%↑ 4,4pp
vs. 2014: 61,3%
Biblioteca ou sala de leitura
49,5%↑ 1,2pp
vs. 2014: 48,3%
Laboratório de informática
44,5%↓ 0,3pp
vs. 2014: 44,8%
Laboratório de ciências
11,3%↑ 0,2pp
vs. 2014: 11,1%
Leitura do dado
Internet era o recurso mais presente nas escolas ativas em 2015, em 65,7% delas, à frente de biblioteca ou sala de leitura (49,5%) e laboratório de informática (44,5%). Laboratório de ciências era o mais raro, presente em apenas 11,3% das escolas.
A distância entre internet e laboratório de ciências, mais de 54 pontos percentuais, mostra que conectividade básica já se espalhava mais rápido que infraestrutura pedagógica especializada, mesmo em 2015.
05 · Modalidade EAD
Residual, e com uma reviravolta
Matrículas em Educação a Distância: modalidade em que a mediação didático-pedagógica ocorre com uso de tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores em locais e tempos diversos na educação básica, todas as etapas, 2007-2024.
Série EAD, matrículas por ano
0 matrículas EAD em 2007: zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período
2007
0 matrículas EAD em 2008: zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período
2008
0 matrículas EAD em 2009: zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período
2009
0 matrículas EAD em 2010: zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período
2010
0 matrículas EAD em 2011: zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período
2011
0 matrículas EAD em 2012: zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período
2012
0 matrículas EAD em 2013: zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período
2013
0 matrículas EAD em 2014: zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período
2014
628.130 matrículas EAD em 2015
2015
693.828 matrículas EAD em 2016
2016
681.965 matrículas EAD em 2017
2017
674.823 matrículas EAD em 2018
2018
639.786 matrículas EAD em 2019
2019
590.340 matrículas EAD em 2020
2020
641.056 matrículas EAD em 2021
2021
860.753 matrículas EAD em 2022
2022
1.012.920 matrículas EAD em 2023
2023
1.042.337 matrículas EAD em 2024
2024
Barras tracejadas (2007-2014): zero estrutural, a modalidade não era reportada como categoria própria neste período, não é ausência real de ensino a distância.
Leitura do dado
A modalidade EAD somava 628.130 matrículas em 2015, 1,3% do total da educação básica. É uma fatia pequena, mas real: a modalidade já aparecia como categoria própria do Censo neste ano, não como zero estrutural de coleta.
Não há, nos fatos verificados desta edição, comparação com anos anteriores de EAD: o que se sabe é que em 2015 a modalidade ainda era marginal frente ao presencial, 1,3% de um total de 48.796.512 matrículas.
06 · Docentes, turmas e panorama regional
Quem dá aula, e onde a rede é mais frágil
A mesma rede, vista pelo corpo docente e pelas 5 regiões do país.
Docentes e turmas, 2015
Docentes em exercício
2.784.910
vs. 2014: 2.785.472 (0,0%)
Turmas
2.164.640
vs. 2014: 2.186.920 (-1,0%)
Razão aluno/docente
17,52
vs. 2014: 17,87
Leitura do dado
O corpo docente ficou praticamente estável em 2015: 2.784.910 professores em exercício, variação de 0,0% frente a 2014 (2.785.472). Turmas caíram 1,0% (2.164.640, ante 2.186.920) e a razão aluno por docente fechou em 17,52.
A matrícula caiu mais rápido (-2,0%) do que turmas e docentes recuaram, o que empurra a razão aluno por docente para baixo mesmo sem expansão de quadro: rede menor, mas com professor por aluno mais folgado, não mais apertado.
Panorama por região, 2015
Escolas ativas, zona, rede privada e razão aluno/docente, as 5 regiões
Panorama por região do Censo Escolar da Educação Básica 2015: escolas ativas, zona rural, rede privada, razão aluno/docente e matrículas
Região
Escolas ativas
% rural
% rede privada
Razão aluno/docente
Matrículas
Norte
23.097
sem dado
9,5%
20,75
5.071.784
Nordeste
68.648
sem dado
17,3%
18,85
14.405.392
Centro-Oeste
10.316
sem dado
19,1%
20,60
3.644.924
Sudeste
60.425
sem dado
22,2%
16,70
19.236.902
Sul
26.203
sem dado
17,4%
14,38
6.437.510
A coluna "% rural" não tem fonte nesta base (o Censo Escolar não traz zona por UF neste recorte); os demais valores vêm da soma dos estados de cada região.
07 · Série 2007-2015
O ano de 2015 em contexto
Sob cada valor, a variação sobre o ano anterior. A linha destacada é 2015.
Série histórica do Censo Escolar da Educação Básica por ano, de 2007 a 2024, com 2015 destacado
Ano
Escolas ativas
Matrículas
Docentes
Turmas
Razão aluno/docente
2007
198.507início da série
53.028.928
2.318.003
2.098.756
22,88
2008
205.699↑ 3,6%
53.232.868↑ 0,4%
2.487.223↑ 7,3%
2.138.582↑ 1,9%
21,40↓ 6,5%
2009
203.455↓ 1,1%
52.580.452↓ 1,2%
2.533.470↑ 1,9%
2.145.029↑ 0,3%
20,75↓ 3,0%
2010
200.876↓ 1,3%
51.549.889↓ 2,0%
2.572.700↑ 1,5%
2.150.472↑ 0,3%
20,04↓ 3,4%
2011
194.932↓ 3,0%
50.972.619↓ 1,1%
2.608.581↑ 1,4%
2.155.952↑ 0,3%
19,54↓ 2,5%
2012
194.695↓ 0,1%
50.545.050↓ 0,8%
2.672.767↑ 2,5%
2.173.607↑ 0,8%
18,91↓ 3,2%
2013
192.678↓ 1,0%
50.042.448↓ 1,0%
2.732.597↑ 2,2%
2.186.922↑ 0,6%
18,31↓ 3,2%
2014
190.553↓ 1,1%
49.771.371↓ 0,5%
2.785.472↑ 1,9%
2.186.9200,0%
17,87↓ 2,4%
2015
188.689↓ 1,0%
48.796.512↓ 2,0%
2.784.9100,0%
2.164.640↓ 1,0%
17,52↓ 2,0%
2016
187.891↓ 0,4%
48.817.4790,0%
2.802.003↑ 0,6%
2.171.013↑ 0,3%
17,42↓ 0,6%
2017
185.925↓ 1,0%
48.608.093↓ 0,4%
2.791.496↓ 0,4%
2.169.220↓ 0,1%
17,41↓ 0,1%
2018
183.746↓ 1,2%
48.455.867↓ 0,3%
2.835.306↑ 1,6%
2.163.997↓ 0,2%
17,09↓ 1,8%
2019
182.468↓ 0,7%
47.874.246↓ 1,2%
2.813.042↓ 0,8%
2.160.089↓ 0,2%
17,02↓ 0,4%
2020
181.279↓ 0,7%
47.295.294↓ 1,2%
2.757.776↓ 2,0%
2.142.065↓ 0,8%
17,15↑ 0,8%
2021
180.057↓ 0,7%
46.668.401↓ 1,3%
2.846.169↑ 3,2%
2.128.776↓ 0,6%
16,40↓ 4,4%
2022
184.332↑ 2,4%
47.382.074↑ 1,5%
2.924.306↑ 2,7%
2.190.502↑ 2,9%
16,20↓ 1,2%
2023
180.230↓ 2,2%
47.304.632↓ 0,2%
2.934.558↑ 0,4%
2.212.677↑ 1,0%
16,12↓ 0,5%
2024
181.065↑ 0,5%
47.088.922↓ 0,5%
2.939.002↑ 0,2%
2.224.054↑ 0,5%
16,02↓ 0,6%
Valores do BigQuery (basedosdados), cruzados com a Nota Estatística oficial do INEP.
⚠️
Os limites deste Censo
Diferente do Censo do Ensino Superior, este levantamento não mede Yield Rate nem Summer Melt, e não tem dado individual de aluno ou docente desde 2022. Leia os números aqui como panorama de rede, não como funil de captação.
Fonte: Censo Escolar da Educação Básica 2015, INEP. Microdados agregados via BigQuery (dataset público basedosdados, tabela "br_inep_censo_escolar.escola"), consultados em 30/08/2026. Números cruzados contra a Nota Estatística oficial do INEP.