O retrato de 2.574 instituições e 8.987.120 matrículas no segundo ano da pandemia. O traço do ano é a oferta desatada: 22.679.062 vagas (alta de 15,5%) e 62,8% dos ingressantes já entrando a distância.
Matrículas
8.987.120↑ 3,5%
vs. 2020: 8.680.945
Ingressantes
3.945.091↑ 4,8%
vs. 2020: 3.765.669
Concluintes
1.327.325↑ 3,8%
vs. 2020: 1.278.755
Vagas ofertadas
22.679.062↑ 15,5%
vs. 2020: 19.629.072
Cursos
43.374↑ 2,7%
vs. 2020: 42.233
Instituições
2.574↑ 4,8%
vs. 2020: 2.457
Todos os números desta página: Censo da Educação Superior 2021 (INEP), extraídos via BigQuery (basedosdados), tabelas "curso" e "ies"
O que 2021 diz para cada cadeira
Antes dos gráficos, a leitura: o que este Censo muda na decisão de quem capta, converte, precifica e retém
Marketing e captação62,8%
De cada 10 calouros de 2021, mais de 6 entraram em EAD: 62,8% dos ingressantes, mesmo com o presencial ainda respondendo por 58,6% das matrículas. O estoque conta o passado, o fluxo conta o futuro, e o fluxo de 2021 é adulto: 57,0% de quem entrou tem 25 anos ou mais. Mesmo no presencial, 54,5% das matrículas estão no noturno: o campus clássico também vive do aluno que trabalha. Persona, canal e horário de campanha precisam mirar esse aluno, não o calouro de 18 anos do imaginário.
Foram 22.679.062 vagas ofertadas para 3.945.091 ingressantes: 5,7 vagas para cada calouro que de fato chegou. A oferta cresceu 15,5% em um ano; o ingresso, 4,8%. Quando a vaga sobra, o resultado comercial não vem de abrir turma, vem de converter: velocidade de resposta, acompanhamento de cada inscrito e recuperação de quem parou no meio do processo. E, com o processo seletivo contínuo dominando o EAD, essa esteira roda o ano inteiro, não só na janela do edital.
A bolsa ou desconto da própria instituição financiava 1.947.969 matrículas em 2021; o Fies, 223.009: 8,7 vezes menos. No EAD a diferença é ainda mais extrema: 35,2% das matrículas têm bolsa da própria IES e o Fies praticamente não existe (543 matrículas no país inteiro). O acesso que o subsídio público já garantiu agora sai do caixa da IES como desconto comercial. Precificar bolsa, curso a curso, virou decisão de margem, não tática de campanha.
Enquanto 3.945.091 entraram em 2021, 2.345.488 matrículas terminaram o ano desvinculadas e outras 1.771.045 trancadas. O sistema formou 1.327.325. A saída tem endereço: no EAD, 21,9% da base do ano se desvinculou, contra 14,5% no presencial; na rede privada, 20,2%, contra 8,2% na pública. A maior perda de aluno e de receita acontece depois da matrícula: rotina de acompanhamento e dado de engajamento valem mais que campanha nova.
As mesmas matrículas, vistas por quem mantém a instituição e por onde o aluno está.
Matrículas por categoria administrativa
Alterne para cruzar com a modalidade
Privada com fins: 5.133.362 matrículas
Privada sem fins: 1.774.852 matrículas
Federal: 1.371.134 matrículas
Estadual: 634.024 matrículas
Municipal: 50.039 matrículas
Especial: 23.709 matrículas
Privada com fins 57,1%Privada sem fins 19,7%Federal 15,3%Estadual 7,1%Municipal 0,6%Especial 0,3%
Leitura do dado
O Brasil fechou 2021 com 2.574 instituições de ensino superior, 4,8% a mais que as 2.457 de 2020: no meio da pandemia, o sistema abriu instituições em vez de fechar. A matrícula, porém, seguiu concentrada: a privada com fins lucrativos sozinha responde por 57,1% do total (5.133.362 matrículas), mais que o dobro de federais, estaduais e municipais somadas (23,0%).
A leitura por categoria evita um erro comum: tratar “privado” como um bloco só. A privada sem fins lucrativos (19,7%, 1.774.852 matrículas) opera com outra lógica, com 79,1% das suas matrículas no presencial, e as federais concentram 1.371.134 matrículas com perfil próprio de curso e de aluno. Para quem capta, o concorrente relevante muda conforme a categoria dominante na praça e no curso: benchmarking honesto começa separando essas seis categorias.
Matrículas por modalidade
EAD: 3.716.370 matrículas
Presencial: 5.270.750 matrículas
EAD 41,4% (3.716.370)Presencial 58,6% (5.270.750)
Entre os ingressantes o EAD já é 62,8%: em 2021, quem entra, entra majoritariamente a distância
Leitura do dado
Em 2021 o EAD respondia por 41,4% das matrículas (3.716.370) e o presencial por 58,6% (5.270.750). O número que antecipa o futuro, porém, é outro: 62,8% dos ingressantes entraram a distância. Quando o fluxo de entrada supera o estoque com essa folga, é questão de tempo até a base virar: cada turma nova empurra a proporção para cima.
Na série, as matrículas saíram de 5.985.873 em 2009 para 8.987.120 em 2021, alta de cerca de 50%, e chegariam a 10.227.266 em 2024. Os ingressantes contam uma história mais rápida: eram 2.081.382 em 2009 e 3.945.091 em 2021, quase o dobro. Com 62,8% da entrada de 2021 já a distância, planejar portfólio presencial é disputar a fatia do mercado que cresce menos: a decisão não é abandonar o campus, é saber qual jogo cada modalidade joga.
Matrículas por região
Participação no total de matrículas de graduação
Sudeste
3.927.777 matrículas
43,7% (3.927.777 matrículas)
Nordeste
1.855.626 matrículas
20,7% (1.855.626 matrículas)
Sul
1.626.212 matrículas
18,1% (1.626.212 matrículas)
Centro-Oeste
820.300 matrículas
9,1% (820.300 matrículas)
Norte
754.481 matrículas
8,4% (754.481 matrículas)
Leitura do dado
O Sudeste concentra 43,7% das matrículas do país (3.927.777), mais que o dobro do Nordeste (20,7%). Mas cada região joga um jogo: o Sul é a única onde o EAD já era maioria em 2021, com 51,0% das matrículas a distância, e o Norte vem logo atrás, com 45,9%. No outro extremo, o Nordeste é a região mais pública (30,8% das matrículas em IES públicas) e a mais presencial (só 34,3% em EAD).
Para a operação de captação, isso muda régua e mensagem. No Sul e no Norte, a disputa já era travada majoritariamente no digital, contra marcas nacionais de EAD; no Nordeste, com 30,8% da matrícula em rede pública, uma parte relevante do mercado nem passa por precificação: a concorrência da IES privada é a vaga gratuita. Campanha nacional com uma régua só trata como iguais mercados que não são.
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Brasil
Matrículas8.987.120
% do país100%
Ingressantes3.945.091
Concluintes1.327.325
menosmais
O ranking muda com o recorte: o Sul tem 18,1% das matrículas do país, mas é a única região onde o EAD já é maioria (51,0%); no Nordeste, 30,8% da matrícula está na rede pública
Contorno geográfico do IBGE (biblioteca open source mapa-brasil, MIT)
02 · Perfil de quem entra
Quem entra, estuda e conclui
Sexo, turno, idade e cor/raça: cruzamentos que a tabela "curso" já traz prontos por ano.
Sexo
Feminino
2.317.274 pessoas
58,7% (2.317.274 pessoas)
Masculino
1.627.817 pessoas
41,3% (1.627.817 pessoas)
2.317.274 mulheres e 1.627.817 homens: o feminino é 58,74% de ingressantes. Feminino e masculino são as 2 únicas categorias que o Censo coleta para sexo
Turno, só no presencial
Noturno
3.811.944
64,2% (3.811.944)
Diurno
2.130.268
35,8% (2.130.268)
Só vale para o presencial (EAD não tem turno); o INEP funde matutino e vespertino em "diurno"
Faixa etária
Cruze população e modalidade para ver quem é o aluno de cada mercado
42,7%
1.683.076 pessoas
18-24
17,3%
682.259 pessoas
25-29
13,5%
532.094 pessoas
30-34
11,0%
435.167 pessoas
35-39
11,7%
460.323 pessoas
40-49
3,0%
119.844 pessoas
50-59
0,5%
19.811 pessoas
60+
0,3%
12.517 pessoas
0-17
57,0% de quem entra somando as duas modalidades tem 25 anos ou mais
Leitura do dado
A idade do aluno depende da porta de entrada. No presencial, 65,3% dos ingressantes de 2021 têm entre 18 e 24 anos: o campus segue recebendo o aluno que vem do ensino médio. No EAD, a lógica inverte: 70,6% de quem entra tem 25 anos ou mais. Somando as modalidades, o adulto já é maioria na entrada, com 57,0% dos ingressantes de 25 anos ou mais.
O funil fica mais adulto conforme avança: entre os concluintes, 65,2% têm 25 anos ou mais, e no EAD esse número chega a 85,4%. Quem desenha persona de campanha pensando num universitário de 19 anos descreve a minoria do mercado de 2021: o aluno mediano trabalha, estuda à noite (54,5% das matrículas presenciais são noturnas) e decide matrícula com critérios de adulto: preço, tempo e retorno.
Cor/raça
Branca
1.593.448 pessoas
40,4% (1.593.448 pessoas)
Não declarada
1.019.997 pessoas
25,9% (1.019.997 pessoas)
Parda
1.016.384 pessoas
25,8% (1.016.384 pessoas)
Preta
248.206 pessoas
6,3% (248.206 pessoas)
Amarela
52.452 pessoas
1,3% (52.452 pessoas)
Indígena
14.604 pessoas
0,4% (14.604 pessoas)
03 · Cursos e áreas
O que o Brasil estudava em 2021
Os maiores cursos do país e as 11 áreas de conhecimento, na CINE Brasil: Classificação Internacional Normalizada da Educação (padrão INEP/Unesco) que dá nome único a cursos e áreas harmonizada pela basedosdados para toda a série.
Os maiores cursos em matrículas
Combine modalidade e área de conhecimento: o ranking mostra os 15 primeiros do recorte escolhido
Os 15 maiores cursos em matrículas no Censo da Educação Superior 2021, com ingressantes, concluintes e vagas e o percentual de matrículas a distância.
Curso
Matrículas
Ingressantes
Concluintes
Vagas
% EAD
Pedagogia
789.254
284.306
165.439
983.125
75,8%
Direito
702.485
195.968
115.239
503.352
A modalidade a distância não é autorizada pelo MEC para graduações como Direito, Medicina e Psicologia. Os registros EAD deste curso em 2021 são nulos ou residuais.
Administração
620.966
284.096
85.427
1.079.007
56,4%
Enfermagem
388.266
182.365
48.098
425.744
27,9%
Contabilidade
338.933
143.382
50.372
732.753
57,5%
Psicologia
289.879
99.868
37.349
255.200
0,1%
Sistemas de informação
239.869
143.552
31.781
629.534
54,7%
Educação física
239.008
110.418
32.533
517.918
61,3%
Medicina
224.192
49.972
23.811
55.418
A modalidade a distância não é autorizada pelo MEC para graduações como Direito, Medicina e Psicologia. Os registros EAD deste curso em 2021 são nulos ou residuais.
Engenharia civil
205.736
62.246
38.460
501.346
18,4%
Gestão de pessoas
202.098
145.787
46.810
696.888
84,5%
Fisioterapia
184.962
73.539
26.295
539.874
17,8%
Farmácia
176.866
73.491
23.056
417.021
24,8%
Nutrição
160.425
73.343
23.251
432.337
34,7%
Odontologia
148.301
46.176
23.254
111.215
A modalidade a distância não é autorizada pelo MEC para graduações como Direito, Medicina e Psicologia. Os registros EAD deste curso em 2021 são nulos ou residuais.
Pedagogia é o maior curso do país (789.254 matrículas) e é um fenômeno EAD: 598.341 dessas matrículas são a distância
Direito é o contraponto presencial: das 702.485 matrículas do curso, 702.465 estão no presencial
Administração já virou: 350.515 matrículas em EAD contra 270.451 no presencial
Matrículas por área de conhecimento
As 11 áreas gerais da classificação CINE/Unesco · clique numa área para ver seus maiores cursos na tabela acima
Negócios, adm. e direito
29,3%
Saúde e bem-estar
20,9%
Educação
18,5%
Engenharia e construção
10,4%
Ciências sociais e comunicação
5,5%
Computação e TIC
5,2%
Agricultura e veterinária
3,3%
Serviços
2,8%
Artes e humanidades
2,4%
Ciências naturais e matemática
1,5%
Programas básicos
0,3%
04 · Como entraram
O caminho até a matrícula
Da vaga ofertada ao aluno matriculado, e o instrumento de seleção usado em cada ingresso.
A jornada, em 3 etapas
Vagas ofertadas · 22.679.062
0,7 inscrição por vaga: sobrava oferta
Inscritos · 15.120.827
26,1% dos inscritos efetivamente ingressam
Ingressantes · 3.945.091
Números reais de 2021: 22.679.062 vagas ofertadas para 3.945.091 ingressantes, 5,7 vagas por calouro; a oferta cresceu 15,5% em um ano
Por instrumento de seleção
Como cada ingressante chegou até a vaga, no recorte escolhido (passe o mouse sobre as barras)
Inclui os processos seletivos próprios das instituições, não só a prova clássica
2.670.734 ingressantes
67,7%
Ingresso pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Sisu e uso direto pelas IES)
667.749 ingressantes
16,9%
Processos sem prova tradicional: análise de histórico, entrevista ou nota do ensino médio
306.960 ingressantes
7,8%
Transferências, convênios e ingressos sem tipo de seleção informado
286.246 ingressantes
7,3%
Provas aplicadas ao longo do ensino médio (ex.: PAS da UnB)
9.794 ingressantes
0,2%
Vagas para quem já concluiu outra graduação
3.608 ingressantes
0,1%
“Vestibular” domina (67,7%) porque inclui os processos seletivos próprios e contínuos das redes de EAD, onde chega a 77,5% dos ingressos
Leitura do dado
No agregado, o vestibular respondeu por 67,7% dos ingressos de 2021 (2.670.734), mas o rótulo engana: aí dentro estão os processos seletivos próprios e contínuos das redes de EAD, onde essa fatia chega a 77,5%. O Enem ficou com 16,9% dos ingressos no total (667.749) e a seleção simplificada com 7,8%.
O recorte por rede revela dois calendários de captação. Na pública, o Enem é o instrumento dominante (51,7% dos ingressos), o que amarra a entrada às janelas do exame e da seleção nacional. Na privada, o vestibular próprio leva 72,3%, e no presencial o Enem ainda pesa 30,3%. Traduzindo para a operação: o presencial vive de safra, o EAD colhe o ano inteiro, e o time comercial precisa estar dimensionado para os dois ritmos.
05 · Financiamento e cotas
Quem paga, e com qual ajuda
Financiamento estudantil
Matrículas, 2021 · 29,4% têm algum financiamento ou bolsa
Sem financiamento70,6%
1.947.969 matrículas
382.544 matrículas
96.329 matrículas
223.009 matrículas
A bolsa da própria instituição (1.947.969 matrículas) é 8,7 vezes o Fies (223.009): em 2021 o acesso já dependia mais do desconto da IES do que do subsídio público
Leitura do dado
Das 8.987.120 matrículas de 2021, 29,4% tinham algum financiamento ou bolsa, e a origem dessa ajuda já tinha mudado de mãos: a bolsa ou desconto da própria IES atendia 1.947.969 matrículas (21,7% do total), 8,7 vezes o Fies (223.009). O Prouni somava 382.544 bolsas integrais e 96.329 parciais.
A modalidade muda a conta. No EAD, 38,8% das matrículas tinham financiamento, quase tudo bolsa da própria instituição (1.309.055 matrículas, 35,2% da base EAD); o Fies a distância registrou 543 matrículas no país inteiro. No presencial, o Fies concentrava 222.466 matrículas. Para o financeiro, o recado de 2021 vale até hoje: o “financiamento estudantil” relevante é o desconto que sai da própria margem, e ele precisa ser gerido curso a curso, não como verba de campanha.
Reserva de vaga (cotas)
Ingressantes, 2021 · 150.441 entraram por alguma cota (3,8%)
Portas de entrada de quem entrou por cota
Escola pública
90,3% dos 150.441 cotistas
135.818 (90,3% dos 150.441 cotistas)
Étnico-racial
47,9% dos 150.441 cotistas
72.078 (47,9% dos 150.441 cotistas)
Renda familiar
38,3% dos 150.441 cotistas
57.655 (38,3% dos 150.441 cotistas)
Outras
2,9% dos 150.441 cotistas
4.356 (2,9% dos 150.441 cotistas)
Deficiência
1,8% dos 150.441 cotistas
2.742 (1,8% dos 150.441 cotistas)
As portas se sobrepõem: um aluno pode entrar por mais de uma
Leitura do dado
Em 2021, 150.441 ingressantes entraram por alguma reserva de vaga: 3,8% do total. A porta mais usada é a da escola pública (135.818, ou 90,3% dos cotistas), seguida do critério étnico-racial (72.078, 47,9%) e da renda familiar (57.655, 38,3%). As portas se sobrepõem: um mesmo aluno pode contar em mais de uma, por isso a soma passa do total.
Para uma IES privada, o dado delimita contra quem se disputa o aluno de baixa renda: a concorrente principal não é outra mensalidade, é a vaga gratuita e reservada da rede pública. E a base de 2021 permite a leitura completa da política: as três grandes portas (escola pública, étnico-racial e renda) aparecem reportadas, com deficiência (2.742) e outras modalidades (4.356) completando o quadro.
06 · Docentes e instituições
Quem dá aula, e com que estrutura
Vem da tabela "ies" (por instituição, não por curso).
Docentes em exercício
358.825 docentes em exercício em todas as categorias
Doutorado
50,6% de 358.825 docentes
50,6% (50,6% de 358.825 docentes)
Mestrado
34,4% de 358.825 docentes
34,4% (34,4% de 358.825 docentes)
Especialização
13,8% de 358.825 docentes
13,8% (13,8% de 358.825 docentes)
Só graduação
1,2% de 358.825 docentes
1,2% (1,2% de 358.825 docentes)
Leitura do dado
O Brasil tinha 358.825 docentes em exercício em 2021, e metade do corpo docente nacional já era de doutores (50,6%), com outros 34,4% de mestres. A média, porém, esconde estruturas opostas: na rede federal, 73,9% têm doutorado e 93,6% trabalham em tempo integral; na privada com fins lucrativos, 30,8% têm doutorado, 44,6% estão em tempo parcial e 28,5% são horistas.
Não é um ranking de qualidade de aula: são produtos acadêmicos diferentes, com estruturas de custo diferentes. O custo docente por matrícula de uma federal e o de uma grande rede privada não habitam a mesma planilha, e isso explica parte da diferença de preço e de margem entre categorias. Para o gestor acadêmico, o regime de trabalho é a variável de gestão: com 28,5% de horistas na privada com fins lucrativos, padronização pedagógica e acompanhamento do aluno dependem mais de processo do que de convivência de campus.
Dois retratos do corpo docente
25,0
matrículas por docente em exercício
53,0%
dos docentes são homens (47,0% mulheres)
São 25,0 matrículas por docente (eram 17,6 em 2009), e 53,0% dos docentes são homens: o inverso do corpo discente, 58,4% feminino
Leitura do dado
Duas estatísticas resumem a transformação do trabalho docente. Em 2021, a relação era de 25,0 matrículas por docente em exercício, contra 17,6 em 2009: o sistema cresceu muito mais em alunos do que em professores, e é a escala do EAD que torna essa conta possível. É também por isso que o custo docente por aluno das grandes redes cede, enquanto o do presencial clássico não tem de onde ceder.
O segundo retrato é o de gênero: 53,0% dos docentes são homens, enquanto 58,4% das matrículas são de mulheres (entre os ingressantes de 2021, elas são 58,7%). A maioria feminina que domina a graduação ainda não se reflete do outro lado da sala de aula.