2.365 instituições e 6.765.540 matrículas, alta de 5,6% sobre 2010: o 2011 do Censo é um sistema ainda 85,3% presencial e movido a vestibular, mas com o EAD já em 18,3% dos ingressantes.
Matrículas
6.765.540↑ 5,6%
vs. 2010: 6.407.733
Ingressantes
2.359.409↑ 7,4%
vs. 2010: 2.196.822
Concluintes
1.022.711↑ 4,3%
vs. 2010: 980.662
Vagas ofertadas
4.474.331↓ 6,5%
vs. 2010: 4.784.620
Cursos
30.746↑ 3,1%
vs. 2010: 29.835
Instituições
2.365↓ 0,5%
vs. 2010: 2.378
Todos os números desta página: Censo da Educação Superior 2011 (INEP), extraídos via BigQuery (basedosdados), tabelas "curso" e "ies"
ℹ️
O que o Censo de 2011 não coleta
O Censo de 2011 não coleta os indicadores de biblioteca e serviços digitais das IES; esse painel não existe para este ano.
A categoria seleção simplificada aparece zerada em todas as aberturas de forma de ingresso de 2011: o instrumento do ano não registrava esse tipo de processo, não é ausência de alunos.
O que 2011 diz para cada cadeira
Antes dos gráficos, a leitura: o que este Censo muda na decisão de quem capta, converte, precifica e retém
Marketing e captação54,5%
Mais da metade dos calouros de 2011 (54,5%) tem entre 18 e 24 anos; no presencial, 61,4%. Mas o campus clássico convive com dois públicos que a régua jovem não enxerga: 63,5% das matrículas presenciais estão no noturno, de quem trabalha de dia, e no EAD 76,0% de quem entra tem 25 anos ou mais. Em 2011, falar só com o jovem do vestibular ainda funcionava, mas já deixava de fora o público que mais cresceria. Persona não é uma: são pelo menos duas, e a mensagem precisa saber com qual está falando.
Foram 4.474.331 vagas para 2.359.409 ingressantes: 1,9 vaga para cada calouro. O dado do ano é a direção: as vagas caíram 6,5% e o ingresso cresceu 7,4%, ou seja, o resultado veio de converter melhor, não de ofertar mais. Com o vestibular decidindo 74,5% dos ingressos, a disputa se concentra em janelas curtas de calendário. Quem responde rápido no período de inscrição e matrícula leva; quem abre vaga e espera, fica com a ociosidade.
Em 2011, 21,7% das matrículas têm algum financiamento ou bolsa. A maior porta já é a bolsa ou crédito da própria IES: 736.156 matrículas, mais de três vezes o Fies (223.512). O Prouni responde por 267.646 bolsas integrais e 100.053 parciais. A leitura que valeria para a década inteira já estava dada: o desconto que sai do caixa da casa é a principal alavanca de acesso, e precificar bolsa curso a curso é decisão de margem, não tática de campanha.
Enquanto 2.359.409 entraram em 2011, 1.332.298 perderam o vínculo e outros 759.512 trancaram: 14,9% da base do ano terminou desvinculada. No EAD a perda chega a 19,0%; na rede pública, fica em 10,7%. O sistema formou 1.022.711, menos da metade do que entrou no mesmo ano. E o apoio direto ao aluno ainda é raro: 11,8% das matrículas têm algum apoio social. Permanência já era o maior vazamento de receita, e ele acontece dentro de casa, depois da matrícula.
As mesmas matrículas, vistas por quem mantém a instituição e por onde o aluno está.
Matrículas por categoria administrativa
Alterne para cruzar com a modalidade
Privada sem fins: 2.737.434 matrículas
Privada com fins: 2.254.464 matrículas
Federal: 1.033.014 matrículas
Estadual: 619.459 matrículas
Municipal: 121.169 matrículas
Privada sem fins 40,5%Privada com fins 33,3%Federal 15,3%Estadual 9,2%Municipal 1,8%
Leitura do dado
O Brasil de 2011 tem 2.365 instituições de ensino superior e 6.765.540 matrículas de graduação. A rede privada responde por 73,8% do total, mas com uma hierarquia diferente da atual: a maior categoria é a privada sem fins lucrativos, com 40,5% das matrículas (2.737.434), seguida pela privada com fins lucrativos, com 33,3% (2.254.464). No setor público, a rede federal soma 1.033.014 matrículas (15,3%), a estadual 619.459 (9,2%) e a municipal 121.169 (1,8%).
Para quem capta, o dado central é a pulverização: 2.365 instituições disputando um mercado de 6,8 milhões de alunos, sem a concentração em grandes grupos que marcaria a década seguinte. Nesse tabuleiro, marca regional e relacionamento local ainda decidem matrícula. A categoria a observar é a privada com fins lucrativos: é nela que o EAD já pesa 22,9% e que o modelo de escala começa a aparecer.
Matrículas por modalidade
EAD: 993.062 matrículas
Presencial: 5.772.478 matrículas
EAD 14,7% (993.062)Presencial 85,3% (5.772.478)
Entre os ingressantes o EAD já é 18,3%, acima dos 14,7% do estoque de matrículas: o fluxo de entrada corre à frente
Leitura do dado
O EAD de 2011 é minoria clara: 14,7% das matrículas (993.062), contra 85,3% no presencial (5.772.478). O sinal de mudança está no fluxo: entre os ingressantes, a fatia a distância já é de 18,3%, acima do peso no estoque. Quando quem entra é mais EAD do que quem já estuda, o crescimento da modalidade está contratado.
O fenômeno tem endereço desde cedo: na privada com fins lucrativos o EAD já representa 22,9% das matrículas (515.160), mais que o dobro da fatia na federal (10,2%) e na privada sem fins lucrativos (11,0%). Na série, o sistema que fechou 2011 com 6.765.540 matrículas chegaria a 10.227.266 em 2024, e é essa ponta a distância que explica boa parte do caminho.
Matrículas por região
Participação no total de matrículas de graduação
Sudeste
3.126.356 matrículas
46,2% (3.126.356 matrículas)
Nordeste
1.331.714 matrículas
19,7% (1.331.714 matrículas)
Sul
1.146.225 matrículas
16,9% (1.146.225 matrículas)
Centro-Oeste
640.847 matrículas
9,5% (640.847 matrículas)
Norte
520.398 matrículas
7,7% (520.398 matrículas)
Leitura do dado
O Sudeste concentra 46,2% das matrículas do país (3.126.356), mais que Nordeste (19,7%) e Sul (16,9%) somados. Na outra ponta, o Norte tem 7,7% das matrículas (520.398), mas é a região que mais estuda a distância (25,9% em EAD) e a mais pública do Brasil, com 42,7% dos alunos em instituições públicas.
O Nordeste segue padrão parecido: 38,6% das matrículas em IES públicas (514.429 alunos), mais que o dobro da fatia do Sudeste (18,3%). Já no centro-sul o jogo é privado, e o Sul desponta no EAD, com 18,8% das matrículas a distância. São mercados regionais com regras próprias: onde a rede pública pesa, o concorrente da IES privada inclui a gratuidade; onde o EAD avança, a disputa começa a ser de marca e preço.
O mapa do ensino superior
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Brasil
Matrículas6.765.540
% do país100%
Ingressantes2.359.409
Concluintes1.022.711
menosmais
O Norte é a região mais EAD (25,9% das matrículas) e a mais pública (42,7%); o Sudeste sozinho concentra 46,2% do sistema
Contorno geográfico do IBGE (biblioteca open source mapa-brasil, MIT)
02 · Perfil de quem entra
Quem entra, estuda e conclui
Sexo, turno, idade e cor/raça: cruzamentos que a tabela "curso" já traz prontos por ano.
Sexo
Feminino
1.317.211 pessoas
55,8% (1.317.211 pessoas)
Masculino
1.042.198 pessoas
44,2% (1.042.198 pessoas)
1.317.211 mulheres e 1.042.198 homens: o feminino é 55,83% de ingressantes. Feminino e masculino são as 2 únicas categorias que o Censo coleta para sexo
Turno, só no presencial
Noturno
2.105.681
64,8% (2.105.681)
Diurno
1.143.745
35,2% (1.143.745)
Só vale para o presencial (EAD não tem turno); o INEP funde matutino e vespertino em "diurno"
Faixa etária
Cruze população e modalidade para ver quem é o aluno de cada mercado
54,5%
1.285.310 pessoas
18-24
18,0%
424.639 pessoas
25-29
11,5%
271.468 pessoas
30-34
6,7%
156.924 pessoas
35-39
6,4%
150.632 pessoas
40-49
1,7%
39.405 pessoas
50-59
0,2%
4.832 pessoas
60+
1,1%
26.199 pessoas
0-17
44,4% de quem entra somando as duas modalidades tem 25 anos ou mais
Leitura do dado
Em 2011 o aluno tradicional ainda é maioria: 54,5% dos ingressantes têm entre 18 e 24 anos, e no presencial essa fatia sobe para 61,4%. O EAD conta outra história: 76,0% de quem entra a distância tem 25 anos ou mais, e entre as matrículas EAD os adultos são 81,6%. Dois mercados etários distintos já dividiam a mesma estatística nacional.
Quem conclui é mais velho do que quem entra: 63,3% dos concluintes do ano têm 25 anos ou mais, e no EAD esse grupo chega a 90,2%. Para a captação, o recado de 2011 é que a mensagem jovem ainda funcionava para o campus, mas quem apostou cedo no adulto do EAD comprou o público que mais cresceria dali em diante.
Cor/raça
Não declarada
1.598.307 pessoas
67,7% (1.598.307 pessoas)
Branca
459.538 pessoas
19,5% (459.538 pessoas)
Parda
222.895 pessoas
9,4% (222.895 pessoas)
Preta
54.928 pessoas
2,3% (54.928 pessoas)
Amarela
21.054 pessoas
0,9% (21.054 pessoas)
Indígena
2.687 pessoas
0,1% (2.687 pessoas)
03 · Cursos e áreas
O que o Brasil estudava em 2011
Os maiores cursos do país e as 11 áreas de conhecimento, na CINE Brasil: Classificação Internacional Normalizada da Educação (padrão INEP/Unesco) que dá nome único a cursos e áreas harmonizada pela basedosdados para toda a série.
Os maiores cursos em matrículas
Combine modalidade e área de conhecimento: o ranking mostra os 15 primeiros do recorte escolhido
Os 15 maiores cursos em matrículas no Censo da Educação Superior 2011, com ingressantes, concluintes e vagas e o percentual de matrículas a distância.
Curso
Matrículas
Ingressantes
Concluintes
Vagas
% EAD
Administração
842.268
275.313
126.268
494.706
16,6%
Direito
723.562
198.641
95.064
214.821
0,1%
Pedagogia
580.643
205.560
117.852
350.032
48,3%
Contabilidade
288.641
101.565
38.385
202.322
17,1%
Enfermagem
243.825
69.997
47.052
119.592
0,3%
Sistemas de informação
167.490
67.161
21.804
166.972
13,6%
Serviço social
152.669
50.264
16.093
108.032
52,8%
Engenharia civil
147.758
68.387
7.816
64.007
0,7%
Psicologia
144.664
46.009
19.542
70.421
A modalidade a distância não é autorizada pelo MEC para graduações como Direito, Medicina e Psicologia. Os registros EAD deste curso em 2011 são nulos ou residuais.
Gestão de pessoas
142.356
78.757
27.463
141.727
33,2%
Educação física formação de professor
123.499
42.029
22.996
74.746
4,0%
Engenharia de produção
111.810
42.476
8.366
63.667
2,9%
Medicina
107.320
17.914
14.556
16.482
A modalidade a distância não é autorizada pelo MEC para graduações como Direito, Medicina e Psicologia. Os registros EAD deste curso em 2011 são nulos ou residuais.
Farmácia
102.765
29.199
18.732
51.785
A modalidade a distância não é autorizada pelo MEC para graduações como Direito, Medicina e Psicologia. Os registros EAD deste curso em 2011 são nulos ou residuais.
Fisioterapia
101.208
32.699
17.501
68.939
A modalidade a distância não é autorizada pelo MEC para graduações como Direito, Medicina e Psicologia. Os registros EAD deste curso em 2011 são nulos ou residuais.
Administração lidera o país com 842.268 matrículas; Direito vem logo atrás, com 723.562
Direito é quase todo presencial: 722.800 das 723.562 matrículas. No EAD, o maior curso é Pedagogia, com 280.646
Pedagogia é o retrato da transição: 299.997 matrículas no presencial e 280.646 no EAD, quase meio a meio
Matrículas por área de conhecimento
As 11 áreas gerais da classificação CINE/Unesco · clique numa área para ver seus maiores cursos na tabela acima
Negócios, adm. e direito
36,8%
Educação
20,1%
Saúde e bem-estar
14,3%
Engenharia e construção
11,5%
Ciências sociais e comunicação
4,8%
Computação e TIC
4,6%
Agricultura e veterinária
2,3%
Artes e humanidades
2,3%
Ciências naturais e matemática
1,6%
Serviços
1,5%
Programas básicos
0,2%
04 · Como entraram
O caminho até a matrícula
Da vaga ofertada ao aluno matriculado, e o instrumento de seleção usado em cada ingresso.
A jornada, em 3 etapas
Vagas ofertadas · 4.474.331
2,2 candidatos por vaga
Inscritos · 9.990.381
23,6% dos inscritos efetivamente ingressam
Ingressantes · 2.359.409
4.474.331 vagas para 2.359.409 ingressantes: as vagas caíram 6,5% e o ingresso subiu 7,4%, o funil de 2011 converteu melhor
Por instrumento de seleção
Como cada ingressante chegou até a vaga, no recorte escolhido (passe o mouse sobre as barras)
Inclui os processos seletivos próprios das instituições, não só a prova clássica
1.758.614 ingressantes
74,5%
Ingresso pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Sisu e uso direto pelas IES)
342.851 ingressantes
14,5%
Processos sem prova tradicional: análise de histórico, entrevista ou nota do ensino médio
0 ingressantes
0,0%
Transferências, convênios e ingressos sem tipo de seleção informado
257.944 ingressantes
10,9%
Provas aplicadas ao longo do ensino médio (ex.: PAS da UnB)
0 ingressantes
0,0%
Vagas para quem já concluiu outra graduação
0 ingressantes
0,0%
O vestibular decide 74,5% dos ingressos (1.758.614); o Enem, com 14,5%, ainda é coadjuvante
Leitura do dado
O vestibular decide 74,5% dos ingressos de 2011: 1.758.614 calouros entraram por ele. O Enem, como porta de entrada, responde por 14,5% (342.851), e as outras formas (transferências e afins) por 10,9%. O calendário de captação do ano gira, portanto, em torno de provas próprias e datas fixas.
O recorte por rede mostra para onde a régua se movia: na rede pública o Enem já responde por 23,9% dos ingressos (117.287), quase o dobro da fatia na privada (12,1%). No EAD o exame quase não aparece (4,8%), e o vestibular, que ali inclui os processos seletivos próprios das redes a distância, domina com 78,5%. Quem operava captação precisava de playbooks diferentes por rede e por modalidade.
05 · Financiamento e cotas
Quem paga, e com qual ajuda
Financiamento estudantil
Matrículas, 2011 · 21,7% têm algum financiamento ou bolsa
Sem financiamento78,3%
736.156 matrículas
267.646 matrículas
100.053 matrículas
223.512 matrículas
A bolsa ou crédito da própria IES financia 736.156 matrículas; o Fies, 223.512: a maior porta de acesso já saía do caixa da instituição
Leitura do dado
Em 2011, 78,3% das matrículas não têm nenhum financiamento ou bolsa. Entre os 21,7% que têm, a maior porta já é a bolsa ou crédito da própria instituição: 736.156 matrículas (10,9% do sistema), mais de três vezes o Fies (223.512, ou 3,3%). O Prouni soma 267.646 bolsas integrais (4,0%) e 100.053 parciais (1,5%).
O financiamento de 2011 é um fenômeno do presencial: 23,5% das matrículas presenciais têm algum apoio, contra 11,3% no EAD, e o Fies registra apenas 60 matrículas a distância. Para o financeiro da IES, a leitura é direta: mesmo com Fies e Prouni na mesa, o desconto que sai do caixa da casa já era a principal alavanca de acesso, e precificá-lo curso a curso já era decisão de margem.
Reserva de vaga (cotas)
Ingressantes, 2011 · 54.697 entraram por alguma cota (2,3%)
Portas de entrada de quem entrou por cota
Escola pública
69,0% dos 54.697 cotistas
37.734 (69,0% dos 54.697 cotistas)
Étnico-racial
29,6% dos 54.697 cotistas
16.187 (29,6% dos 54.697 cotistas)
Outras
13,1% dos 54.697 cotistas
7.157 (13,1% dos 54.697 cotistas)
Renda familiar
8,1% dos 54.697 cotistas
4.416 (8,1% dos 54.697 cotistas)
Deficiência
0,6% dos 54.697 cotistas
350 (0,6% dos 54.697 cotistas)
As portas se sobrepõem: um aluno pode entrar por mais de uma
Leitura do dado
O ingresso por reserva de vagas alcança 54.697 calouros em 2011: 2,3% dos 2.359.409 ingressantes do ano. A porta dominante é a escola pública, com 37.734 cotistas (69,0% do grupo), seguida pela reserva étnico-racial, com 16.187 (29,6%). Renda familiar (4.416) e deficiência (350) ainda são residuais.
As portas se sobrepõem: um mesmo aluno pode entrar por mais de uma, e por isso os percentuais somam mais de 100%. O retrato de 2011 é o de um mecanismo ainda pequeno diante do sistema e concentrado na origem escolar. Para as IES, o valor do dado é servir de linha de base: é contra essa régua que a política de cotas da década seguinte pode ser medida.
06 · Docentes e instituições
Quem dá aula, e com que estrutura
Vem da tabela "ies" (por instituição, não por curso).
Docentes em exercício
357.418 docentes em exercício em todas as categorias
Doutorado
29,9% de 357.418 docentes
29,9% (29,9% de 357.418 docentes)
Mestrado
38,4% de 357.418 docentes
38,4% (38,4% de 357.418 docentes)
Especialização
27,8% de 357.418 docentes
27,8% (27,8% de 357.418 docentes)
Só graduação
3,9% de 357.418 docentes
3,9% (3,9% de 357.418 docentes)
Leitura do dado
O ensino superior de 2011 emprega 357.418 docentes. A titulação é puxada pelo mestrado (38,4%), com 29,9% de doutores, 27,8% de especialistas e 3,9% apenas graduados. No regime de trabalho, 46,9% estão em tempo integral e 29,2% são horistas.
A média nacional esconde dois modelos quase do mesmo tamanho: a rede federal, com 84.408 docentes, tem 56,7% de doutores e 91,2% em tempo integral; a privada com fins lucrativos, com 82.005, tem 12,5% de doutores e 45,6% de horistas. São estruturas de custo e propostas acadêmicas opostas, e o argumento de venda de cada IES precisa ser coerente com o corpo docente que ela de fato tem.
Dois retratos do corpo docente
18,9
matrículas por docente em exercício
54,9%
dos docentes são homens (45,1% mulheres)
18,9 matrículas por docente (eram 17,6 em 2009); 54,9% dos docentes são homens, enquanto 57,0% dos alunos são mulheres
Leitura do dado
São 18,9 matrículas por docente em 2011, acima das 17,6 de 2009: o sistema cresce mais rápido que o corpo que o atende. E há um espelho invertido de gênero: entre os docentes, 54,9% são homens; entre os alunos, 57,0% são mulheres.
O contraste aparece também na conclusão: as mulheres são 625.184 dos 1.022.711 concluintes do ano, 61,1% do total. Quem desenha campanha, atendimento e produto para "o aluno" no masculino está falando com a minoria do próprio mercado, e a distância entre o perfil de quem ensina e o de quem aprende é um dado de gestão, não uma curiosidade.
07 · Inclusão e vínculo
Fora do fluxo padrão
Inclusão e apoio
Quantos alunos cada registro alcança, sobre o total de matrículas
Bolsa permanência, moradia, alimentação, transporte e afins
798.856 alunos
11,8% (798.856 alunos)
Com deficiência
29.033 alunos
0,4% (29.033 alunos)
Barras em escala real sobre o total de matrículas do ano
O balanço do vínculo no ano
Entradas e saídas registradas em 2011, no recorte escolhido
Entraram
2.359.409
Formaram-se
1.022.711
Desvincularam-se
1.332.298
Trancaram
759.512
Transferiram-se
103.022
Enquanto 2.359.409 entraram em 2011, 1.332.298 perderam o vínculo: 14,9% da base do ano terminou desvinculada
Leitura do dado
O ano de 2011 termina com 1.332.298 vínculos desfeitos, além de 759.512 matrículas trancadas e 103.022 transferências. Em percentual, 14,9% da base do ano terminou desvinculada. Do outro lado do balcão, entraram 2.359.409 e concluíram 1.022.711: o sistema perde no meio do caminho boa parte do que capta.
Os recortes mostram onde o furo é maior: 19,0% de desvinculação no EAD contra 14,1% no presencial, e 16,2% na rede privada contra 10,7% na pública. O padrão que ficaria famoso na década seguinte já estava inteiro em 2011: a maior perda de alunos e de receita acontece depois da matrícula, e é ali que dado de engajamento e rotina de acompanhamento pagam a conta.
08 · Série 2009-2024
O ano de 2011 em contexto
A mesma tabela em todas as páginas de ano: o que muda é a linha destacada. Sob cada valor, a variação sobre o ano anterior.
Série histórica do Censo da Educação Superior por ano, de 2009 a 2024, com 2011 destacado
Ano
Vagas
Inscritos
Ingressantes
Matrículas
Concluintes
2009
4.754.894início da série
6.925.597
2.081.382
5.985.873
967.558
2010
4.784.620↑ 0,6%
7.423.215↑ 7,2%
2.196.822↑ 5,5%
6.407.733↑ 7,0%
980.662↑ 1,4%
2011
4.474.331↓ 6,5%
9.990.381↑ 34,6%
2.359.409↑ 7,4%
6.765.540↑ 5,6%
1.022.711↑ 4,3%
2012
4.672.668↑ 4,4%
11.986.045↑ 20,0%
2.756.773↑ 16,8%
7.058.084↑ 4,3%
1.056.069↑ 3,3%
2013
5.875.381↑ 25,7%
13.884.047↑ 15,8%
2.749.803↓ 0,3%
7.322.964↑ 3,8%
994.812↓ 5,8%
2014
8.110.893↑ 38,0%
16.392.497↑ 18,1%
3.114.510↑ 13,3%
7.839.765↑ 7,1%
1.030.520↑ 3,6%
2015
8.553.929↑ 5,5%
16.686.523↑ 1,8%
2.922.400↓ 6,2%
8.033.574↑ 2,5%
1.152.458↑ 11,8%
2016
10.676.134↑ 24,8%
16.908.258↑ 1,3%
2.986.636↑ 2,2%
8.052.254↑ 0,2%
1.170.960↑ 1,6%
2017
10.793.807↑ 1,1%
17.616.175↑ 4,2%
3.226.906↑ 8,0%
8.290.911↑ 3,0%
1.201.145↑ 2,6%
2018
13.533.580↑ 25,4%
17.215.507↓ 2,3%
3.446.328↑ 6,8%
8.451.748↑ 1,9%
1.264.778↑ 5,3%
2019
16.428.847↑ 21,4%
20.081.058↑ 16,6%
3.633.644↑ 5,4%
8.604.526↑ 1,8%
1.250.239↓ 1,1%
2020
19.629.072↑ 19,5%
20.101.685↑ 0,1%
3.765.669↑ 3,6%
8.680.945↑ 0,9%
1.278.755↑ 2,3%
2021
22.679.062↑ 15,5%
15.120.827↓ 24,8%
3.945.091↑ 4,8%
8.987.120↑ 3,5%
1.327.325↑ 3,8%
2022
22.830.485↑ 0,7%
16.987.688↑ 12,3%
4.756.957↑ 20,6%
9.444.116↑ 5,1%
1.287.635↓ 3,0%
2023
24.687.130↑ 8,1%
14.576.590↓ 14,2%
4.994.192↑ 5,0%
9.977.217↑ 5,6%
1.374.789↑ 6,8%
2024
23.665.419↓ 4,1%
15.723.085↑ 7,9%
5.010.613↑ 0,3%
10.227.266↑ 2,5%
1.333.988↓ 3,0%
Valores do BigQuery (basedosdados) para consistência entre todas as colunas; a coluna "rede" da fonte tem lacuna conhecida em 2013
09 · Trajetória por coorte
O que acontece com quem entrou na faculdade
O INEP acompanha coortes de ingresso por até dez anos. A jornada completa da turma de 2015, com recortes por rede e modalidade, está na página de 2015; o retrato mais recente da trajetória está na edição 2024.
Fonte: Censo da Educação Superior 2011, INEP/MEC. Microdados agregados via BigQuery (dataset público basedosdados), tabelas "curso" e "ies", consultados em 30/08/2026. Série harmonizada pela basedosdados; totais de 2024 validados contra o Resumo Técnico oficial do INEP.